O mercado de trigo encerrou a semana pressionado por fatores técnicos, mas os fundamentos seguem apontando para um cenário de sustentação dos preços no médio prazo. De acordo com análise da TF Agroeconômica, a recente queda das cotações em Chicago foi motivada principalmente pela liquidação de posições por fundos de investimento, sem que houvesse mudanças significativas no quadro global de oferta.
O principal fator de atenção continua sendo o conflito no Mar Negro. Os ataques a portos, navios mercantes, terminais de exportação, armazéns e instalações de combustíveis aumentam os riscos para o fluxo do comércio internacional. Além disso, cresce a preocupação com uma eventual paralisação parcial ou total das exportações russas, cenário que poderia retirar entre 30 milhões e 35 milhões de toneladas do mercado mundial.
Nos Estados Unidos, o avanço da seca nas regiões produtoras de trigo de primavera reforça as incertezas sobre o potencial produtivo da safra. Já na Argentina, o excesso de umidade continua atrasando a conclusão do plantio no sul da província de Buenos Aires, embora as áreas já semeadas apresentem boas condições de desenvolvimento.
No Brasil, a redução da área cultivada no Paraná e no Rio Grande do Sul deve restringir a oferta doméstica. A produção conjunta dos dois estados é estimada em 4,71 milhões de toneladas, volume cerca de 26% inferior ao registrado na safra passada. Esse cenário tende a elevar a necessidade de importações e contribuir para a sustentação dos preços no mercado físico ao longo do segundo semestre.
No curto prazo, o mercado deve permanecer com tendência neutra a levemente baixista, reflexo da atuação dos fundos e do desempenho ainda fraco das exportações norte-americanas. No entanto, para o médio prazo, os riscos logísticos no Mar Negro, a seca nos Estados Unidos e a menor produção brasileira mantêm um viés positivo para as cotações. Diante desse cenário, a recomendação é priorizar uma comercialização gradual, aproveitando eventuais recuperações dos preços e evitando decisões precipitadas.
BATANEWS/REDAçãO