SUS vai integrar tratamento de doença renal crônica em meio a avanço de casos no país
O SUS (Sistema Único de Saúde) anunciou nesta quinta-feira (17) uma mudança no procedimento para o tratamento de doença renal crônica. A partir de agora, todo o acompanhamento será feito em etapa única, do diagnóstico à diálise.
O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde durante um congresso de nefrologia em Belo Horizonte, e ocorre em um contexto de avanço da doença no Brasil. Um estudo divulgado em março pela ABCDT (Associação Brasileira de Centro de Diálise e Transplante) mostrou que o número de brasileiros com doença renal crônica em tratamento por diálise cresceu 9,2% em um ano, saltando de 156.473 em dezembro de 2024 para 170.868 em dezembro de 2025. Diabetes é a principal causa que leva pacientes à terapia renal no país, responsável por um terço dos casos.
Segundo o secretário de Atenção Especializada à Saúde da pasta, Mozart Sales, o paciente que receber diagnóstico a partir de agora será submetido a uma única frente de cuidados, sem a necessidade de esperar em várias filas para tratar a condição –o que atrasa o tratamento e tende a intensificar a doença.
'Com essa estratégia, estimamos aumentar também entre 160% e 260% o repasse para os prestadores de serviço, resultando em maior oferta de atendimento nefrológico para o paciente do SUS', disse Sales à Folha.
A ação, batizada de Oferta de Cuidado Integrado (OCI), ocorre no âmbito do programa Agora Tem Especialistas. Segundo a Saúde, consultas, exames e procedimentos serão, a partir de agora, realizados conforme o estágio da doença.
Último estágio para tratar a doença, a diálise substitui parcialmente a função dos rins quando eles deixam de conseguir filtrar adequadamente o sangue. O procedimento remove do organismo substâncias que se acumulam com a perda da função renal, além de ajudar a controlar o excesso de líquido e o equilíbrio de sais e outras substâncias no sangue.
Na modalidade mais comum, o sangue é filtrado por uma máquina, geralmente em sessões de cerca de quatro horas, três vezes por semana. A necessidade de comparecer regularmente a um serviço de saúde pode tornar o tratamento logisticamente difícil, especialmente para pacientes de baixa renda, que podem enfrentar longos deslocamentos, custos e dificuldades de transporte, além da necessidade de conciliar as sessões com trabalho e outras atividades.
'A integração da oferta é a junção de todos os procedimentos, que antes eram fragmentados. Consequentemente o paciente não fica mais com aquela ciranda de procura', afirmou Mozart.
Com o diagnóstico incluído na linha integrada de tratamento, espera-se que os pacientes tenham uma menor progressão da doença. 'Eles vão conseguir controlar sua doença renal crônica durante muito mais tempo e evitar casos agudos, evitando a necessidade de fazer a diálise', disse o secretário.
Segundo Mozart, não existe fila de diálise para doente crônico no Brasil. Há, contudo, uma demanda de pacientes com episódios agudos da doença que, após a hospitalização, passam a precisar do tratamento. O secretário afirmou a inda que a pasta pretende aumentar de 4,55% para cerca de 15% a participação da diálise peritonial no tratamento para doença renal crônica. Neste modelo, uma solução é introduzida no abdome por meio de um cateter e utiliza o peritônio como filtro para retirar do sangue substâncias tóxicas e o excesso de líquido.
O levantamento da ABCDT estima que 230 mil pessoas precisam de diálise no Brasil. Isto é, mais de 60 mil pessoas estariam sem acesso à terapia à época do levantamento.
Ao integrar o atendimento, espera-se, segundo a Saúde, uma redução no absenteísmo do tratamento, ou seja, o abandono das visitas ao médico pelo paciente –o que também contribui para piora do quadro.
Segundo o Ministério da Saúde, entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, foram abertos 25 novos pontos de hemodiálise, quatro de diálise peritoneal e 33 pré-dialíticos.
A doença renal crônica (DRC) é a perda persistente e progressiva da capacidade dos rins de filtrar o sangue e desempenhar funções essenciais, como eliminar resíduos e controlar o equilíbrio de líquidos e substâncias no organismo. Sem tratamento e acompanhamento adequados, a doença pode avançar para estágios mais graves e aumentar o risco de complicações cardiovasculares e morte.
O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.
BATANEWS/FOLHA

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