Justiça mantém preso homem que guardava 10,8 kg de cocaína no quarto da filha
Juiz decretou preventiva de Rodrigo Lima Melo, encaminhado hoje para a Penitenciária de Dourados
A Justiça converteu em preventiva a prisão de Rodrigo Lima Melo, de 32 anos, detido com 10,8 quilos de cocaína na noite de quarta-feira (9), em Dourados, a 251 km de Campo Grande. A mochila com os tabletes de droga estava no quarto da filha do acusado, uma menina de 2 anos de idade .
A decisão sobre a prisão foi tomada pelo juiz Pedro Henrique Freitas de Paula, da Vara das Garantias, Tribunal do Júri e Execução Penal. Hoje de manhã, Rodrigo foi levado da carceragem da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) para a PED (Penitenciária Estadual de Dourados).
Rodrigo havia sido preso pela Força Tática, em casa, no Conjunto Habitacional Izidro Pedroso. A ocorrência foi inicialmente enquadrada pela polícia como tráfico, previsto no artigo 33 da Lei de Drogas.
Na análise do caso, o magistrado considerou que havia indícios suficientes de autoria e materialidade, com base nos depoimentos reunidos no auto de prisão e no laudo toxicológico preliminar. Com isso, homologou o flagrante e afastou a possibilidade de relaxamento da prisão por ilegalidade.
O ponto central da decisão foi a quantidade de cocaína apreendida. Segundo o juiz, os 10,8 quilos encontrados na residência afastariam, em uma análise inicial, a hipótese de porte para consumo próprio ou de tráfico eventual. Para o magistrado, o volume indicaria possível envolvimento mais estruturado com o comércio de entorpecentes.
Na decisão, ele afirmou ainda que, caso fosse fracionada, a droga teria capacidade de alcançar centenas de usuários, com potencial impacto sobre a segurança e a saúde pública. Embora Rodrigo tenha sido apontado como aparentemente primário, com endereço e atividade profissional informados, o juiz registrou que condições pessoais favoráveis não impedem a prisão preventiva quando existem fundamentos considerados suficientes para a medida.
O magistrado também rejeitou a aplicação de medidas cautelares alternativas, como uso de tornozeleira eletrônica ou outras restrições previstas no Código de Processo Penal. Na avaliação dele, essas providências não seriam proporcionais nem suficientes diante das circunstâncias do caso.
Com isso, a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva para garantia da ordem pública. A Justiça determinou a expedição de mandado no BNMP (Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões) e o encaminhamento de Rodrigo ao sistema prisional. Também foi determinada a destruição das drogas apreendidas, com preservação de amostra para a realização do laudo definitivo e eventual contraprova.
Durante a audiência, Rodrigo declarou trabalhar como colorista automotivo, ter renda mensal de R$ 1,6 mil, manter união estável e não ser usuário de drogas. Informou ainda já ter sido preso anteriormente em Dourados por violência doméstica. Na casa dele, os policiais também apreenderam R$ 7.100 em espécie, mas ele não informou a origem do dinheiro.
Durante o interrogatório na delegacia, Rodrigo se manteve em silêncio sobre a cocaína, limitando-se a dizer que recebeu R$ 2.000 para guardar a droga. Por se tratar de droga com alto teor de pureza, a carga foi avaliada em pelo menos R$ 500 mil.
BATANEWS/CGNEWS

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