Em MS, Ministra das Mulheres cobra Assembleia e Governo do Estado por mais orçamento
Márcia Helena Carvalho Lopes destacou ainda a meta ambiciosa nacional de chegar até a marca de 51 Casas da Mulher Brasileira licitadas até dezembro
Diante de um cenário de 24 feminicídios no Estado até então neste 2026, a ministra Márcia Helena Carvalho Lopes, em Campo Grande hoje (27) para a XX Jornada Lei Maria da Penha, cobrou mais orçamento por parte da Assembleia Legislativa e do Governo de Mato Grosso do Sul para políticas de proteção às mulheres.
Essas 24 mortes de mulheres em MS, como acompanha o Correio do Estado, já colocam 2026 entre os anos mais violentos, com dados compilados pelo Monitor da Violência Contra a Mulher, idealizado pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp) e pelo Poder Judiciário, indicando registro de 13,6 mil ocorrências de violência doméstica em apenas oito meses.
Nomeada para o comando da Pasta no lugar da sul-mato-grossense Cida Gonçalves, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 05 de maio de 2025, a atual titular do Ministério das Mulheres esteve presente no primeiro dia da XX Jornada Lei Maria da Penha, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande.
Márcia Lopes participou do painel '20 anos da Lei Maria da Penha: avanços e desafios', ao lado da professora da Universidade de Brasília, Dra. Ela Wiecko, e da conselheira Jaceguara Dantas. Ela lembrou o pioneirismo da Capital do Mato Grosso do Sul com a 1ª Casa da Mulher do País, sem deixar de cobrar as responsabilidades dos poderes locais para o enfrentamento dessa violência de gênero.
'Temos várias casas em construção, em licitação... o Ministério das Mulheres faz tudo aquilo que a gente tem o dever de fazer: articular; integrar; valorizar. Mas é óbvio que não temos autonomia para mandar nas forças políticas do Estado e nem nos governos em nenhum lugar', cita.
Márcia Lopes destacou a conversa que teve com o presidente do Tribunal de Justiça sobre a criação de um 'pacto', reforçando que essa rede de enfrentamento precisa ter em seu corpo a vontade do sistema de Justiça, do Governador e do Legislativo.
'Vamos ver se rapidamente criam esse pacto. E a gente espera, claro, que cada vez mais haja, por parte da Assembleia Legislativa, mais orçamento para a política de mulheres e que o Estado, o governador, também tenha essa responsabilidade que é uma obrigação', cobrou a ministra.
Meta para 2026
Segundo o Ministra,os chamados fóruns estaduais e municipais das gestoras estaduais de políticas para as mulheres devem, até o fim do ano, apresentar as diretrizes do Plano Nacional e prioridades no enfrentamento à violência de gênero.
Márcia reforça que, em 2023, a então secretaria nacional dará espaço para a criação do Ministério das Mulheres, sendo uma forma de garantir recursos e uma parte do orçamento, o que, conforme a ministra, ajuda a alcançar as metas pretendidas.
'Vamos chegar a 51 Casas da Mulher Brasileira até dezembro em processo de licitação. Isso também depende muito do Estado. A gente manda um recurso, 19 ou 10 milhões, dependendo do tamanho. Aí a gestão tem que ser firme, muito rigorosa para que a gente construa uma obra dessa no máximo em um ano, e tem lugares que ficam até um ano e meio com recurso na conta e não conseguem construir', comentou.
Ainda neste ano, por exemplo, o governador Eduardo Riedel (PP) foi até Corumbá, distante cerca de 427 quilômetros de Campo Grande, para homologar a obra de construção da Casa da Mulher Brasileira também na Cidade Branca, empreendimento financiado pelo Governo Federal que têm a previsão de receber R$ 8.294.247,04, mais a contrapartida de Mato Grosso do Sul através do programa MS Ativo Municipalismo.
Atualmente há 13 unidades da Casa da Mulher Brasileira em funcionamento no País, que oferecem uma série de serviços que podem variar conforme a organização de cada rede local, mas que contam, basicamente, como: acolhimento e triagem; apoio psicossocial; delegacia especializada; juizados e varas especializadas; Defensoria e Ministério Público, além de alojamento de passagem e brinquedoteca.
Importante frisar que esses locais funcionam todos os dias da semana, proporcionando acolhimento para mulheres vítimas de violência.
Em Campo Grande, a 1ª Casa da Mulher Brasileira do País fica localizada na rua Brasília, Lote A, Quadra 2, s/n, no bairro Jardim Imá, na Capital. Além disso, há unidades nas seguintes localidades do País:
Região Centro-Oeste
Região Nordeste
Salvador (BA): Avenida Tancredo Neves – Caminho das Árvores, ao lado do Hospital Sarah;
Fortaleza (CE): Rua Tabuleiro do Norte com Rua Teles de Sousa, s/n – Couto Fernandes;
São Luís (MA): Avenida Professor Carlos Cunha, 572 – Jaracaty;
Teresina (PI): Avenida Roraima, 2563 – Aeroporto;
Aracaju (SE): Centro Administrativo, Avenida D, 200 – Capucho
Região Norte
Macapá (AP): Rua Floriano Waldeck, 1278 – São Lázaro;
Ananindeua (PA): Avenida Cláudio Sanders, 28 – Centro –, com acesso pela Rua Quinta das Carmitas;
Boa Vista (RR): Rua Uraricoera, s/n – São Vicente;
Palmas (TO): Quadra ACSE-90 (902 Sul), Avenida NS-02 – Plano Diretor Sul;
Região Sudeste
São Paulo (SP): Rua Vieira Ravasco, 26 – Cambuci, CEP 01518-030;
Região Sul
Curitiba (PR): Avenida Paraná, 870 – Cabral – Curitiba (PR), CEP 80035-130.
BATANEWS/CORREIO DO ESTADO / LEO RIBEIRO

Comentários