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Ministério da Defesa começa desenhar estratégia militar para os próximos 22 anos

Grupo vai mapear ameaças e orientar o preparo das Forças Armadas entre 2028 e 2050

Ministério da Defesa começa desenhar estratégia militar para os próximos 22 anos

O Ministério da Defesa criou um grupo de trabalho para mapear possíveis ameaças ao Brasil e planejar como as Forças Armadas deverão se preparar entre 2028 e 2050. A medida consta em portaria publicada no DOU (Diário Oficial da União) desta quinta-feira (27).

O grupo será responsável pela elaboração do CMD (Cenário Militar de Defesa) 2028-2050. O documento deverá apontar tendências, riscos, atores e acontecimentos capazes de afetar a segurança nacional e exigir a atuação da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica.

Com isso, o governo pretende construir um panorama dos desafios militares que o país poderá enfrentar nas próximas duas décadas. Esse estudo servirá para orientar decisões futuras sobre treinamento, tecnologia, equipamentos, estrutura e capacidade de resposta das Forças Armadas.

A portaria não aponta uma guerra específica nem informa que exista ameaça imediata contra o Brasil. O objetivo é trabalhar com possíveis cenários e incertezas, avaliando como mudanças políticas, tecnológicas, econômicas e internacionais podem afetar a defesa nacional.

O texto permite que o grupo utilize ferramentas de projeção de cenários, redes de pesquisa e conhecimento produzido por especialistas. Militares e civis com experiência técnica também poderão ser convidados para participar das discussões.

CMD deverá fornecer as bases para a elaboração da PMD (Política Militar de Defesa) e da EMD (Estratégia Militar de Defesa). Esses documentos orientam o preparo e o emprego das Forças Armadas.

Ao todo, o grupo terá 18 integrantes. Serão 12 representantes da administração central do Ministério da Defesa, dois da Marinha, dois do Exército e dois da Aeronáutica.

Os integrantes terão até 15 dias, contados da publicação da portaria, para apresentar a metodologia, o cronograma e o alcance do trabalho. A proposta final deverá ser entregue até 15 de dezembro de 2027, embora o prazo possa ser prorrogado.

Parte das discussões poderá permanecer sob sigilo. Conforme a portaria, conteúdos ainda em elaboração deverão circular somente pelas estruturas internas de comando. Reuniões envolvendo documentos sigilosos serão realizadas presencialmente em Brasília.

A participação no grupo não será remunerada. O documento final também não determinará, automaticamente, a compra de armas ou a movimentação de tropas. Ele funcionará como um mapa estratégico para orientar futuras decisões militares do país.

 

KAMILA ALCâNTARA / CAMPO GRANDE NEWS

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