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Mulher já detida em MS por fingir ser criança é julgada em SC

Amanda Maria Souza de Oliveira responde por estelionato e falsa identidade após viver 14 meses com família

Mulher já detida em MS por fingir ser criança é julgada em SC

Três anos depois de ser detida em Campo Grande ao fingir ser uma adolescente de 13 anos para conseguir acolhimento em um abrigo destinado a menores, Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, está perto de conhecer a sentença por um caso semelhante em Santa Catarina. A Justiça realizou nesta quarta-feira (19) a audiência de instrução do processo em que ela é acusada de estelionato e falsa identidade por se apresentar como uma menina de 12 anos e viver durante cerca de 14 meses com uma família de Joinville.

Amanda está presa preventivamente desde 2 de junho e participou da audiência por videoconferência. A defesa pediu a absolvição e a revogação da prisão, enquanto o MP (Ministério Público) se manifestou pela condenação e pela manutenção da medida. Segundo informações divulgadas após a audiência, a sentença deve sair em até cinco dias.

O julgamento chama atenção em Mato Grosso do Sul porque a estratégia atribuída à mulher já havia mobilizado a rede de proteção de Campo Grande em novembro de 2023.

Na ocasião, Amanda tinha 34 anos, mas se identificou como 'Gabrielly dos Santos' e afirmou ter 13. Ela deu entrada em uma unidade de acolhimento institucional para crianças e adolescentes na região do Vilas Boas. Aos profissionais, chegou a alegar que o pai teria administrado hormônios para fazê-la parecer mais velha.

A história provocou desconfiança dos funcionários. Após pesquisas na internet, foram localizadas notícias sobre episódios semelhantes envolvendo a mulher em outros estados. Amanda acabou encaminhada à delegacia, onde sua verdadeira identidade foi descoberta.

Apesar da prisão e do registro por falsa identidade, o episódio de Campo Grande não avançou para uma ação penal. Levantamento feito pelo Campo Grande News em junho deste ano não encontrou processo contra Amanda nas justiças estadual e federal nem no MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). A polícia também informou, na época do caso, que não havia identificado prejuízo financeiro causado por ela na Capital.

Por isso, embora a forma de enganar as vítimas seja semelhante, há uma diferença importante entre os dois episódios: em Campo Grande, ela foi descoberta ainda durante o acolhimento e não houve indicação de prejuízo financeiro. Em Joinville, a acusação sustenta que a farsa se prolongou por mais de um ano e deu origem também à denúncia por estelionato.

Viveu como filha de casal

Em Santa Catarina, Amanda teria conseguido sustentar por meses a história de que era menor de idade. Segundo a acusação, inicialmente ela se apresentou à comunidade religiosa como 'Gabriele', afirmou ter 18 anos e disse procurar trabalho. Posteriormente, passou a dizer que tinha apenas 11 anos e que havia sido vítima de abusos.

A família acreditou na versão e a recebeu em casa. Amanda permaneceu com o casal durante aproximadamente 14 meses e chegou a ter uma comemoração de aniversário pelos supostos 12 anos.

A fraude foi descoberta depois que uma familiar pesquisou informações sobre ela na internet e encontrou relatos de situações semelhantes.

Durante a audiência desta quarta-feira, foram ouvidos integrantes da família que acolheu Amanda, além de testemunhas, um policial civil e profissionais responsáveis pelas avaliações técnicas realizadas no processo.

A defesa sustenta que os laudos apontam transtornos psiquiátricos e necessidade de tratamento. O conteúdo das avaliações está sob segredo de Justiça. Em junho, Amanda já havia sido submetida a exame de sanidade mental para avaliar sua capacidade de responder pelos próprios atos.

Casos se espalharam pelo País

Campo Grande e Joinville não foram os únicos locais onde Amanda foi associada a histórias do tipo. Levantamento publicado em junho mostrou que ela já havia sido investigada em pelo menos cinco estados e utilizava nomes diferentes para se apresentar como criança ou adolescente. Há registros desse comportamento desde pelo menos 2018.

Entre os nomes usados estão Gabriele, Ana Clara, Maria Eduarda, Beatriz e Maria Clara. Em um caso no Paraná, uma vítima chegou a acreditar durante meses que Amanda era uma adolescente de 13 anos com leucemia.

Agora, diferentemente do que ocorreu em Campo Grande, onde não chegou a responder judicialmente pelo episódio de 2023, Amanda aguarda presa uma decisão sobre as acusações feitas em Santa Catarina.

 

BATANEWS/CGNEWS

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