MS registrou 12.061 casos de estelionato no ano passado, o equivalente a 402 por dia
Conversas, demonstrações de carinho e promessas de um relacionamento que nem existe. Esse é o mecanismo básico do chamado golpe afetivo ou golpe do romance, que termina em empréstimos, transferências bancárias e grandes prejuízos.
Em Mato Grosso do Sul, as mulheres são as mais escolhidas. Isso não significa que elas sejam mais vulneráveis, mas as características de sua rotina e de suas necessidades emocionais podem ser facilmente exploradas pelos criminosos.
Conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, Mato Grosso do Sul registrou 12.061 casos de estelionato no ano passado, o que representa 402 por dia. Em 2024, o total foi de 13.998. Especificamente no meio eletrônico, foram 5.299 casos em 2025, contra 5.503 no ano imediatamente anterior.
Esses dados apresentados não são necessariamente sobre golpes afetivos, mas envolvem crimes eletrônicos.
O delegado Leandro Azevedo, especialista em crimes cibernéticos, explica sobre o perfil mais vulnerável em Mato Grosso do Sul. Mulheres a partir de 40 anos, divorciadas, com filhos e com perfil aberto nas redes sociais são as “preferidas' dos golpistas.
“As mulheres tendem a se envolver em longo prazo, envolvem mais a questão de sentimento. Eles identificam as vítimas por perfis abertos, mulheres de 40 anos, divorciada, já tem filhos, moram sozinhas, se expõem bastante nas redes sociais. Normalmente essas pessoas já tiveram relacionamento, tem plena condição financeira. Eles identificam porque os perfis são abertos, pessoas que ficam expondo sentimentos nas redes sociais, por causa da carência', explicou.
Os criminosos começam fazendo varredura para ver quem se encaixa nesse perfil e mandam mensagens genéricas para iniciar a interação. “A vítima começa a ter apego afetivo, começa a marcar encontros que não dão certo. Normalmente tem que ser a distância, tem que ter uma dificuldade de se encontrar.'
Normalmente, essas pessoas se identificam como se fossem estrangeiras, exercendo profissões de engenheiro de obra no exterior, médico trabalhando fora do país, militar e empresário misterioso.
Durante a falsa conquista, existem várias formas de surpreender, como enviar um presente inexistente. Nesse caso, pode acontecer de alegarem que o produto caiu na alfândega. Com isso, a vítima recebe uma ligação solicitando que pague o imposto para a liberação. No entanto, o dinheiro vai para o golpista e o presente nunca chega.
Além disso, o delegado também pontua que existem situações de pedir dinheiro por emergência. “Como ela está apaixonada, sempre tem uma empolgação, ela se vê em um relacionamento, mas tudo é fake, o nome da pessoa, foto, CPF, RG. É um golpe muito perverso. Tive mais de um caso de trazerem a pessoa na minha frente e a pessoa sair da delegacia e mesmo assim não acreditar', pontuou.
Também há situações em que o golpe atinge homens, mas em uma escala menor. Neste cenário, os homens se envolvem menos emocionalmente e tendem a finalizar a conversa mais rápido que as mulheres. “É a curto prazo. Normalmente, homens solteiros estão procurando aventura, menina mais nova'. Idosos aposentados também ficam na mira.
Em alguns casos, o golpe do romance se estende para extorsão e ameaça, após o envio de fotos íntimas, aparecendo um pai policial, por exemplo, dizendo que a menina é menor de idade. Mas, tudo não passa de uma farsa.
As vítimas podem procurar a delegacia para registrar Boletim de Ocorrência e reunir provas do golpe.
Leandro Azevedo pontua alguns sinais de alerta, começando por não confiar apenas nas palavras, mas observar os comportamentos. Muito elogio logo no começo, interesse rápido demais, história triste, residência longe, a pessoa do outro lado nunca consegue marcar um encontro são grandes indícios de golpe.
E tem mais: quando você começa a acreditar, a se envolver emocionalmente e a baixar a guarda, vem o 'boleto emocional'. É aí que a manipulação pode começar.
Atualidade - Se antes os criminosos precisavam construir manualmente uma identidade falsa, dificultando a aparição em vídeos, hoje, ferramentas de IA (Inteligência Artificial) podem ajudar a produzir textos, imagens, áudios e outros conteúdos capazes de tornar a fraude mais convincente.
Antigamente, eram usados perfis de pessoas verdadeiras para aplicar golpes. Agora, a própria IA é capaz de gerar uma foto de uma pessoa que nem existe.
Credito. Izabela Cavalcanti / Campo Grande News
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