Família Noordegraaf reúne três gerações na atividade leiteira, aliando tradição, tecnologia e formação técnica.
Da coragem dos pioneiros à inovação dos netos, a família Noordegraaf constrói, há décadas, uma história de cooperação, trabalho e continuidade dentro da Castrolanda. Ainda menino, ao explorar os campos recém-abertos da colônia, o pequeno Jan Noordegraaf, recém-chegado da Holanda com os pais, Jantje Stegeman e Jan Noordegraaf, se aventurava entre o mato alto de Castro (PR) com os seus irmãos mais velhos. Foi nesse cenário que viveu um episódio que até hoje marca a memória da família: tornou-se o primeiro holandês a ser picado por uma cobra na Castrolanda.
O susto virou história e a história virou símbolo de uma geração que aprendeu, desde cedo, que construir no campo exigia coragem. Décadas depois, o nome de Jan segue presente na propriedade, agora não apenas como memória, mas como raiz de uma trajetória que atravessa gerações.
Os primeiros anos na colônia foram marcados por uma rotina intensa e recursos limitados. A produção era pequena, quase toda manual, e o crescimento acontecia passo a passo. Naquela época, o acesso ao conhecimento também era limitado. “No meu tempo tinha pouco estudo. Hoje é diferente, é preciso estudar, entender de finanças, de logística. Nada disso cai do céu, precisa ser aprendido.'
Ainda assim, ele resume com clareza o significado da atividade que ajudou a construir: “Ser pecuarista é uma escolha nobre.' A produção, que começou de forma modesta, revela a dimensão dessa evolução construída ao lado da esposa, Trijntje Hilkina Borg Noordegraaf. “Meu pai começou com cerca de 400 litros por dia. Hoje, a propriedade chega a aproximadamente 25 mil litros diários.'
Foi nesse ambiente que Marco Noordegraaf, filho de Jan, deu continuidade ao trabalho da família, enfrentando uma nova fase, com desafios ligados à expansão e à gestão. O caminho não foi simples. “Eu estava com bastante dificuldade no começo', relembra.
Mas com o apoio de casa, Annamaria, sua esposa, decidiu se envolver na rotina da propriedade, mesmo sem experiência prévia. “Ela se propôs a vir ajudar, e isso fez toda a diferença. Hoje posso dizer que ela é meu braço direito', afirma Marco.
Ao longo dos anos, Annamaria, construiu seu espaço, especialmente na gestão de pessoas, fortalecendo um dos pilares mais importantes da atividade.
Além de expandir a produção, a família construiu algo que não se mede apenas em números, mas com a transmissão de valores, baseados na fé cristã. O envolvimento dos filhos no dia a dia da propriedade sempre foi parte desse processo e hoje se reflete na formação da nova geração.
A sucessão na família Noordegraaf é marcada por preparo e diversidade de conhecimentos. Isabella é formada em Medicina Veterinária, Monica em Agronomia e Jean Marco Noordegraaf segue em formação na área de Administração, um conjunto que fortalece a gestão técnica e estratégica da propriedade.
Para Isabella, dar continuidade à história da família é também um compromisso com o futuro. “É um motivo para a gente prosseguir. Eles começaram pequenos e foram crescendo, e nós precisamos continuar da mesma forma mantendo a propriedade sustentável e a família unida.'
A evolução tecnológica acompanha essa nova fase. Processos que antes eram totalmente manuais deram lugar a soluções mais eficientes e automatizadas. “O que antes era feito com balde, hoje já contamos com alimentador automático para as bezerras. Também temos pasteurizador e sistema de ordenha carrossel, que trouxeram mais eficiência para a produção.'
Além da propriedade, a atuação dentro da cooperativa também ganha espaço. Isabella participa do Comitê de Bovinocultores pelo Jovem Cooperativista, experiência que contribui diretamente para sua formação. “É muito importante, porque posso ouvir o que está sendo discutido e entender melhor os caminhos da cooperativa. Além disso, os programas e cursos técnicos ajudam a preparar os jovens para a sucessão.'
Monica, que concluiu sua formação recentemente, destaca o papel da nova geração nesse processo de continuidade. “Depois da universidade, voltei com novas ideias e com vontade de contribuir. São tempos diferentes, com tecnologias diferentes, e a gente precisa saber aplicar isso aqui dentro.'
Ao mesmo tempo, ela reforça um ponto essencial para o futuro do cooperativismo. “A expectativa é que a cooperativa continue crescendo, mas sempre ao lado do produtor, ajudando-o a crescer também.'
Entre passado, presente e futuro, a história da família Noordegraaf mostra que a sucessão é muito mais que a continuidade de um negócio, ela envolve aprendizado, adaptação e, principalmente, escolha.
Uma escolha que começou com coragem, se fortaleceu com trabalho e hoje se projeta no futuro com conhecimento e propósito, mantendo viva a essência do cooperativismo e o compromisso com um trabalho que começou há 75 anos atrás.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
BATANEWS/OPR