Companheiro matou Therezinha a facadas e se matou em seguida
Em silêncio, familiares e amigos se despedem, na manhã desta segunda-feira (27), de Therezinha Nantes de Arruda, de 54 anos. Ela é a 16ª vítima de feminicídio registrada em Mato Grosso do Sul neste ano. O velório ocorre separado do de Joel Escocio Carvalho, de 59 anos, que a matou a facadas e, em seguida, tirou a própria vida.
A despedida de Therezinha, realizada no Cemitério Parque das Primaveras, reuniu amigos e familiares. A reportagem do Campo Grande News esteve no local e foi informada por um primo de que os filhos estavam muito abalados para conversar. De família tradicional de Sidrolândia, a vítima deixou dois filhos e netos.
Uma vizinha, que preferiu não se identificar, contou que conviveu com o casal por 37 anos. “Ela era uma pessoa meiga, amiga para todas as horas. A gente não era de ficar uma na casa da outra, mas ontem ela me deu o último bom dia. A gente se cumprimentava pelo WhatsApp todos os dias. Ontem foi o último', lamentou.
Segundo a vizinha, durante todo o período em que conviveram, nunca presenciou brigas ou discussões entre o casal. “Podia acontecer dentro de casa, mas eu nunca vi. Eles ficavam aqui na frente, tomando tereré e rindo. Sempre conversavam alto e davam risada, então a gente escutava tudo. Pareciam muito felizes. Depois, fiquei sabendo pela delegada que estavam em fase de divórcio. Eu não sabia', disse.
Joel também foi descrito por ela como uma pessoa próxima. “Ele era uma pessoa boa, tinha oficina. A gente cuidava da casa um do outro. Ele vinha buscar remédio caseiro aqui no quintal. Nós éramos amigos. Eu não entendi por que ele fez isso com a Terezinha e com ele mesmo', afirmou.
Ainda na manhã desta segunda-feira, a vizinha teve o último contato com Joel, enquanto varria a calçada. “Agora ficaram os dois meninos desolados, a netinha e os pais, que já são idosos. Ela era a única filha mulher. É uma dor muito grande. Apesar de não ser da família, éramos vizinhos muito próximos', finalizou.
Feminicídios - Com o caso, Mato Grosso do Sul já registrou 16 feminicídios em 2026. O último caso foi registrado em 17 de julho, no município de Nioaque, a cerca de 185 quilômetros de Campo Grande, quando Antonio Marcos da Silva matou Rosenida de Oliveira Candelário, de 48 anos e em seguida, matou o conhecido Reginaldo Messias Bispo.
Este é o segundo caso registrado na Capital este ano. O primeiro caso foi em abril, quando a subtenente da Polícia Militar, Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, foi morta pelo namorado na própria casa. Gilberto Jarson ainda nega a autoria do crime.
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BATANEWS/CGNEWS