O Brasil registrou 2.261.055 ocorrências de estelionato em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento reúne tanto os casos de estelionato tradicional quanto as fraudes praticadas em ambiente digital, modalidade incluída no Código Penal desde 2021.
O estudo aponta que São Paulo e o Distrito Federal lideram o ranking nacional das maiores taxas de registros por 100 mil habitantes, refletindo o avanço dos golpes em regiões com maior bancarização e digitalização dos serviços.
De acordo com o anuário, o estelionato está previsto no artigo 171 do Código Penal e passou a abranger oficialmente as fraudes eletrônicas após mudanças na legislação. Por isso, os dados apresentados consideram todas as modalidades do crime.
A taxa nacional foi de 1.059,43 ocorrências para cada 100 mil habitantes, índice 20% superior ao registrado nos Estados Unidos, onde a taxa é de 882,83 casos por 100 mil habitantes.
Os dados também mostram desigualdade regional. As unidades da federação com taxas superiores a mil registros estão concentradas nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, tendo Rondônia como única exceção na Região Norte.
São Paulo aparece na primeira colocação, com 1.808,3 registros por 100 mil habitantes, seguido pelo Distrito Federal, com 1.717,0.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o comportamento dos golpes acompanha o nível de digitalização e de acesso aos serviços bancários em cada estado. Regiões mais urbanizadas e conectadas tendem a registrar maior número de ocorrências.
Apesar dos números elevados, os pesquisadores alertam que os dados devem ser interpretados com cautela, já que refletem apenas os casos registrados pelas autoridades. Estados com maior estrutura de delegacias especializadas e maior confiança da população nas instituições de segurança costumam apresentar índices mais altos de notificações.
O anuário também aponta que há forte subnotificação desse tipo de crime. Uma pesquisa de vitimização realizada pelo FBSP, em março de 2026, revelou que 15,8% da população brasileira com 16 anos ou mais foi vítima de algum golpe ou perdeu dinheiro por meio da internet ou do celular no período de um ano. O percentual representa cerca de 26,3 milhões de pessoas, número muito superior ao total de registros oficiais.
Outro ponto destacado pelo estudo é a atuação crescente do crime organizado nas fraudes eletrônicas. Investigações apontam que facções criminosas mantêm verdadeiros "escritórios" especializados em golpes digitais, considerados atividades de baixo risco e alta rentabilidade quando comparadas ao tráfico de drogas.
Para os pesquisadores, as evidências mostram que o Brasil enfrenta uma economia criminosa cada vez mais estruturada, com organizações que atuam de forma empresarial, contam com financiamento de facções e exploram vulnerabilidades do sistema financeiro.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é elaborado com base em informações fornecidas pelas secretarias estaduais de segurança pública, polícias Civil, Militar e Federal, além de outros órgãos oficiais. O documento busca subsidiar políticas públicas, ampliar o debate sobre segurança e fornecer um retrato da criminalidade no país.
Fonte: Brasil 61 e Fórum Brasileiro de Segurança Pública.