Player
Tocando Agora
Carregando...

Bactéria que provoca doença grave em peixes de cultivo é identificada pela primeira vez no Brasil

Publicada em: 24/07/2026 09:43 -

Descoberta da bactéria que provoca doença grave em peixes de cultivo, acende alerta para a piscicultura nacional, amplia preocupação com a sanidade de tilápias e espécies nativas e reforça a busca por vacinas e estratégias de prevenção.

 

Uma descoberta inédita realizada por pesquisadores brasileiros colocou a piscicultura em estado de atenção. Cientistas confirmaram, pela primeira vez no país, a presença de bactérias do gênero Flavobacterium, responsáveis pela columnariose, uma das doenças bacterianas mais agressivas que afetam peixes cultivados para consumo.

Até então, esses microrganismos haviam sido registrados apenas em sistemas de produção da Ásia e dos Estados Unidos. Agora, sua identificação em criatórios brasileiros amplia os desafios sanitários para um setor que tem na tilápia seu principal produto, mas que também engloba espécies nativas de grande importância econômica. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp IA na pecuária permite identificar doenças em bovinos pelo celular, mesmo sem internet

Segundo os pesquisadores, a descoberta evidencia a necessidade de fortalecer programas de vigilância epidemiológica e acelerar estudos voltados ao desenvolvimento de vacinas específicas. “A identificação inicial das bactérias desse gênero é feita por exame visual das colônias no microscópio”, explica Daniel de Abreu Reis Ferreira, primeiro autor do estudo. Doença pode matar peixes em poucos dias

“A identificação inicial das bactérias desse gênero é feita por exame visual das colônias no microscópio”, explica Daniel de Abreu Reis Ferreira, primeiro autor do estudo.

A columnariose é conhecida por provocar lesões esbranquiçadas na pele e nas nadadeiras, além de causar necrose nas brânquias. O avanço da infecção costuma ser rápido, principalmente entre larvas e alevinos, fase em que os animais apresentam maior vulnerabilidade.

As bactérias atacam diretamente os tecidos externos dos peixes, comprometendo funções essenciais e elevando significativamente a mortalidade em viveiros. “As bactérias se alimentam de células epiteliais e matam os peixes em poucos dias, especialmente as larvas e os alevinos”, afirma Fabiana Pilarski, professora do Centro de Aquicultura da Unesp (Caunesp) e pesquisadora do Centro de Ciência para o Desenvolvimento Sanidade na Piscicultura. Pesquisa amplia lista de espécies suscetíveis

“As bactérias se alimentam de células epiteliais e matam os peixes em poucos dias, especialmente as larvas e os alevinos”, afirma Fabiana Pilarski, professora do Centro de Aquicultura da Unesp (Caunesp) e pesquisadora do Centro de Ciência para o Desenvolvimento Sanidade na Piscicultura.

Durante o estudo, os cientistas analisaram 11 cepas bacterianas. Entre elas, seis pertenciam à espécie Flavobacterium oreochromis, conhecida por infectar tilápias.

Entretanto, os pesquisadores também identificaram essa bactéria em espécies nativas criadas comercialmente no Brasil, como: tambaqui; pacu; lambari.

Outro resultado considerado relevante foi o primeiro registro da bactéria Flavobacterium davisii infectando um pintado-da-amazônia. “Esse caso mostra que a bactéria também pode infectar siluriformes, uma ordem de peixes distinta das que ela costuma colonizar, ampliando a possibilidade de hospedeiros para esse patógeno”, explica Ferreira. Bactérias demonstram adaptação às condições brasileiras

“Esse caso mostra que a bactéria também pode infectar siluriformes, uma ordem de peixes distinta das que ela costuma colonizar, ampliando a possibilidade de hospedeiros para esse patógeno”, explica Ferreira.

Os experimentos também revelaram que as bactérias encontradas conseguem se desenvolver nas temperaturas normalmente observadas nos viveiros brasileiros.

Espécies como F. davisii e F. inkyongense apresentaram crescimento ideal em torno de 28°C, temperatura comum nas águas continentais do país.

Já F. indicum mostrou desempenho ainda maior em 35°C, indicando que cenários de aquecimento das águas podem favorecer sua proliferação.

Outro fator considerado preocupante foi a elevada produção de biofilme observada nas análises. “O biofilme é uma matriz protetora que permite que as bactérias se mantenham num estado de dormência quando as condições não são favoráveis, voltando a se multiplicar quando o ambiente se torna propício”, explica Pilarski.

“O biofilme é uma matriz protetora que permite que as bactérias se mantenham num estado de dormência quando as condições não são favoráveis, voltando a se multiplicar quando o ambiente se torna propício”, explica Pilarski.

Essa característica aumenta a capacidade de sobrevivência dos microrganismos em equipamentos e estruturas utilizadas na criação de peixes. “Daí a importância de protocolos robustos de higiene e desinfecção para prevenir a colonização dos equipamentos usados para o manejo dos peixes”, completa Ferreira. Uso de sal pode ajudar no controle

“Daí a importância de protocolos robustos de higiene e desinfecção para prevenir a colonização dos equipamentos usados para o manejo dos peixes”, completa Ferreira.

Apesar do alerta, os pesquisadores destacam que estudos conduzidos por outros grupos apontam que bactérias do gênero Flavobacterium apresentam baixa tolerância à salinidade.

Isso indica que o uso controlado de sal na água pode reduzir a capacidade de colonização desses patógenos. No entanto, ainda serão necessários novos estudos para definir concentrações seguras e eficazes para cada espécie cultivada. Desenvolvimento de vacinas é prioridade

A próxima etapa da pesquisa envolve o sequenciamento genômico das bactérias encontradas no Brasil para identificar alvos capazes de originar vacinas específicas para cada região produtora.

A expectativa é desenvolver imunizantes autógenos, produzidos a partir das cepas presentes em cada sistema de cultivo, aumentando a eficiência da proteção sanitária. “Uma vez que a columnariose ataca sobretudo a pele, uma vacina na forma de banho com a bactéria atenuada seria ideal, beneficiando principalmente os peixes jovens. É uma fase em que o sistema imune está em formação e, por serem pequenos, os alevinos poderiam ser vacinados em grande quantidade simultaneamente”, avalia Pilarski.

“Uma vez que a columnariose ataca sobretudo a pele, uma vacina na forma de banho com a bactéria atenuada seria ideal, beneficiando principalmente os peixes jovens. É uma fase em que o sistema imune está em formação e, por serem pequenos, os alevinos poderiam ser vacinados em grande quantidade simultaneamente”, avalia Pilarski.

A identificação inédita dessa bactéria que provoca doença grave em peixes de cultivo no Brasil representa um avanço científico importante, mas também reforça a necessidade de investimentos em biosseguridade, monitoramento sanitário e novas tecnologias para proteger uma atividade que cresce ano após ano e desempenha papel estratégico no abastecimento de proteína animal do país.

 

BATANEWS/REDAçãO

Compartilhe: x
COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!
Carregando...