Enquanto a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) adota tela “antidrone', os presos apostam na embalagem 'linguicinha' para continuarem recebendo entrega de drogas e celulares nos presídios.
Conforme apurado pela reportagem, essa é a realidade no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, a Máxima, localizada no Jardim Noroeste, em Campo Grande. Em novembro de 2025, foi entregue o telamento “antidrone', dentro de um pacote de intervenções que incluíram reformas estruturais, ampliação de espaços e reforço da segurança.
Contudo, na noite de ontem (dia 22), policiais penais impediram a entrega de cocaína e de um celular por drone na Máxima. Sem bloqueio eletrônico, a equipe derrubou o equipamento com rodos e vassouras quando ele sobrevoava o pátio da unidade.
Após a instalação da tela, já foram feitos sucessivos ajustes para reduzir o espaço entre os vãos do telamento. Agora, o modelo de embalagem “linguicinha' é o mais usado para o sucesso do arremesso. Depois, a entrega é pescada com ganchinho, amarrado numa corda.
A reportagem apurou também que drone operado por policial penal chegou a ser usado para “derrubar' os equipamentos operado pelos criminosos, porém, veio a ameaça de “derrubar' a cadeia, caso a memdida persistisse.
O Campo Grande News questionou a Agepen sobre a quantidade de drones interceptados, abate de equipamentos e tecnologias disponíveis para enfrentar o problema, mas não recebeu resposta até a publicação da matéria.
O Sinsap (Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul) cobra mais tecnologia para que os drones não sejam “abatidos' a vassouradas.
“A tela de proteção já é um mecanismo de proteção, mas precisa ser readequada para ter mais eficiência. Mas existem sistemas tecnológicos de bloqueios de drone dentro de um espaço aéreo delimitado. É só fazer um investimento. Os meliantes têm acesso facilitado a esses equipamentos, que vêm do Paraguai ', afirma o presidente do Sinsap, André Luiz Garcia Santiago.
Ele exemplifica com o entorno de aeroportos, em que o drone trava após subir 100 metros e solicita cadastro para verificar se o operador é autorizado.
Entrega noturna - Levantamento da reportagem mostra casos em Campo Grande e Dourados. Na noite de 16 de julho, drone que transportava 14 carregadores de celular, um aparelho telefônico e outros materiais foi interceptado antes de abastecer a PED (Penitenciária Estadual de Dourados). Na noite de 10 de julho, no mesmo presídio, drone lançou quase um quilo de droga.
A PED fica em área rural e possui um entorno amplo, condição que dificulta a localização e a prisão das pessoas responsáveis por pilotar os equipamentos.
Pombo Sem Asas – Em março, a Operação “Pombo Sem Asas' revelou que ex-policial militar recebeu cerca de R$ 120 mil para facilitar a entrada de drogas e celulares em presídio de segurança máxima de Campo Grande.
Conforme o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), drogas e celulares eram lançados dentro do pátio do presídio por meio de arremessos manuais e drones. A prática, segundo as investigações, era frequente no período em que o militar atuava na vigilância.
Penitenciária federal - A Penitenciária Federal de Campo Grande anunciou no ano passado um sistema antidrone com tecnologia adquirida em Israel, considerada uma das mais avançadas no combate a ameaças aéreas não tripuladas.
A implantação do sistema antidrone faz parte do Projeto Ômega, voltado à modernização da segurança eletrônica e da inteligência das unidades federais, com gestão centralizada em Brasília.
BATANEWS/CGNEWS