Pecuaristas dos EUA pressionam Trump por tarifa de 25% contra carne bovina do Brasil; entenda o que está em jogo
Associações de produtores norte-americanos querem barrar uma possível isenção tarifária para a carne bovina do Brasil, enquanto o governo dos EUA avalia medidas para conter a alta dos preços da proteína no mercado interno.
Os desdobramentos da política comercial dos Estados Unidos voltaram a colocar a carne bovina brasileira no centro das atenções internacionais. Enquanto o governo de Donald Trump avalia uma possível isenção tarifária para determinados produtos brasileiros, associações de pecuaristas dos EUA intensificaram a pressão para que a carne do Brasil continue sujeita a tarifa, mais precisamente a uma tarifa de 25% contra carne bovina do Brasil.
A movimentação ocorre em um momento delicado para o mercado norte-americano. O país enfrenta o menor rebanho bovino em cerca de 70 anos, fator que elevou os preços da carne a níveis recordes e aumentou a necessidade de importações para abastecer o consumo interno. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp Conheça os garanhões que são pilares do Quarto de Milha de Vaquejada, os legendários das pistas Pecuaristas dos EUA querem manter tarifa de 25% contra carne bovina do Brasil
Segundo reportagem do Capital Press, veículo especializado no agronegócio dos Estados Unidos, entidades representativas dos pecuaristas defendem que a carne bovina brasileira não seja incluída entre os produtos que poderão receber isenção tarifária dentro da nova política comercial norte-americana.
A preocupação do setor é que uma eventual flexibilização aumente ainda mais a presença da proteína brasileira no mercado dos EUA.
As associações também argumentam que a decisão seria incompatível com a investigação comercial conduzida pelo próprio governo norte-americano sobre práticas comerciais envolvendo o Brasil. Governo Trump avalia exceções na nova política comercial
De acordo com informações da Reuters, reproduzidas pelo Capital Press, o governo dos Estados Unidos prepara um novo pacote de medidas comerciais que poderá atingir milhares de produtos brasileiros.
Apesar disso, existe a expectativa de que alguns itens estratégicos sejam poupados das novas tarifas. Entre eles estariam: carne bovina; café; terras raras; componentes da indústria aeronáutica.
A possibilidade de exceção para a carne bovina estaria ligada ao esforço do governo norte-americano para ampliar a oferta de proteína animal e tentar reduzir os preços pagos pelos consumidores. Escassez de gado impulsiona importações
O mercado pecuário dos Estados Unidos vive uma situação incomum. Após anos de seca em importantes regiões produtoras e redução do plantel bovino, o país opera com o menor rebanho das últimas sete décadas, cenário que pressiona toda a cadeia da carne.
Com menor oferta doméstica, os frigoríficos passaram a depender mais das importações, tornando países exportadores, como o Brasil, parceiros importantes para garantir o abastecimento do mercado. Entidades alegam preocupação ambiental
Além das questões comerciais, representantes dos pecuaristas americanos afirmam que a manutenção das tarifas também estaria relacionada às discussões ambientais envolvendo a produção pecuária brasileira.
Segundo o Capital Press, dirigentes das entidades afirmaram, durante audiência realizada em Washington, que retirar as tarifas enviaria um sinal contraditório em relação às investigações conduzidas pelo governo dos EUA sobre questões ambientais ligadas à produção agropecuária brasileira. Carne bovina do Brasil: país segue como fornecedor estratégico
Independentemente da decisão final da Casa Branca, o episódio demonstra a importância crescente da carne bovina brasileira no comércio internacional.
O Brasil permanece entre os principais fornecedores globais da proteína, atendendo mercados altamente exigentes e consolidando sua posição como um dos maiores exportadores mundiais.
Ao mesmo tempo, a pressão exercida pelos pecuaristas norte-americanos evidencia que a competitividade da carne brasileira continua sendo um fator relevante nas disputas comerciais internacionais, especialmente em um cenário de oferta restrita e demanda aquecida nos Estados Unidos.
Fonte: Capital Press, com informações da Reuters.

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