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Hospital Regional de Nova Andradina teria recebido, em 2023, paciente em episódio investigado pelo Gaeco

Publicada em: 20/07/2026 11:24 -

Segundo reportagem do Top Midia News, então coordenador da regulação estadual teria articulado transferência de paciente de Ivinhema enquanto investigados negociavam contrato para venda de livros; não há indicação de participação do HR no suposto esquema

 

O Hospital Regional (HR) de Nova Andradina teria sido o destino de um paciente grave de Ivinhema cuja transferência aparece em diálogos investigados pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). As conversas fazem parte da Operação Gutenberg, que apura um suposto esquema envolvendo contratos para a compra de livros paradidáticos por prefeituras de Mato Grosso do Sul.

Segundo informações publicadas pelo TopMídiaNews, o paciente teria sido transferido após uma articulação do então coordenador da regulação estadual de pacientes, Ed Carlo Britto Burgatt. Na mesma época, o advogado Gabriel Taquino de Paula negociava um possível contrato da Editora Avante com a Prefeitura de Ivinhema.

A investigação relaciona a atuação na área da saúde à expectativa de obter vantagem com a negociação comercial. Não há, porém, nas informações divulgadas até agora, indicação de que o Hospital Regional de Nova Andradina, seus profissionais ou agentes públicos do município tivessem conhecimento do suposto esquema ou participado das irregularidades investigadas.

Pedido teria sido enviado em janeiro de 2023

De acordo com a reportagem, Gabriel enviou a Ed Carlo, em 6 de janeiro de 2023, uma sexta-feira, um arquivo com o pedido de regulação de um paciente de Ivinhema. O doente, segundo as informações divulgadas, seria parente do então prefeito do município.

Gabriel também teria informado que havia marcado uma reunião com o prefeito para a segunda-feira seguinte, dia 9. Os diálogos indicam que os investigados discutiram a possibilidade de relacionar a solução de demandas da saúde ao avanço das negociações para a compra dos livros.

 

Em uma das mensagens já reveladas pela imprensa, Ed Carlo afirma que a vaga estaria garantida após a reunião. Ao analisar a situação, também reconhece a gravidade do quadro do paciente, mas debocha: ''Você saindo da sala dele a vaga do doente está garantida kkk'', riu Burgatt. O contexto da conversa sugere que Ed Carlo abriu o arquivo e viu que a situação do doente era crítica.

Na sequência, o então coordenador informa que havia feito contato para viabilizar o atendimento. A reportagem do TopMídiaNews identifica o Hospital Regional de Nova Andradina como a unidade para a qual o paciente seria transferido.

“Amanhã cedo já vai estar resolvido. Já falei com o pessoal lá... vão aceitar ele lá”, diz uma das mensagens atribuídas a Ed Carlo.

Investigação relaciona transferência a negociação

Outro trecho da conversa chamou a atenção dos investigadores. Depois de informar que conseguiria a transferência, Ed Carlo teria demonstrado preocupação com a possibilidade de o contrato comercial não avançar.

Segundo as mensagens divulgadas, ele afirmou que seria ruim mobilizar esforços sem que a outra parte cumprisse o combinado. Para a investigação, o diálogo deve ser analisado dentro do contexto das negociações conduzidas pelos suspeitos.

O Gaeco apura se serviços públicos de saúde, como internações, exames e cirurgias, foram usados para pressionar ou convencer gestores municipais a contratar livros da Editora Avante.

No episódio envolvendo o paciente de Ivinhema, as reportagens publicadas até agora não esclarecem se houve alguma quebra da ordem regular de atendimento para garantir a transferência. Também não informam quem, no Hospital Regional de Nova Andradina, recebeu o contato mencionado por Ed Carlo.

A eventual atuação da unidade hospitalar no atendimento ao paciente, por si só, não indica participação no suposto esquema. Conforme o material divulgado, a suspeita recai sobre a forma como integrantes do grupo investigado teriam usado a influência sobre o sistema estadual de regulação.

Operação Gutenberg

A Operação Gutenberg investiga um suposto esquema envolvendo contratos para aquisição de livros paradidáticos por municípios de Mato Grosso do Sul. Segundo as investigações divulgadas pela imprensa, o grupo teria movimentado mais de R$ 27 milhões.

 

Ed Carlo, Gabriel Taquino e outros investigados foram presos durante a operação. As defesas de Ed Carlo e Gabriel já informaram, em manifestação divulgada anteriormente pelo G1 MS, que pretendem se pronunciar no processo no momento oportuno e destacaram que o Ministério Público ainda não havia apresentado denúncia naquele momento.

 

Redação

 

Nova News
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