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Nova Andradina é citada em mensagens investigadas pelo Gaeco sobre suposto uso da regulação do SUS

Publicada em: 17/07/2026 09:15 -

Diálogo atribuído ao então coordenador da regulação estadual menciona articulação para que um paciente fosse aceito na cidade; investigação não aponta envolvimento de agentes públicos de Nova Andradina no esquema. Articulação por internação teria ocorrido na administração anterior

 

Nova Andradina aparece em uma das conversas analisadas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) na investigação de um suposto esquema que teria usado serviços públicos de saúde durante negociações para a venda de livros paradidáticos a prefeituras de Mato Grosso do Sul.

 

A menção ao município ocorre em um diálogo atribuído ao então coordenador da regulação estadual do Sistema Único de Saúde (SUS), Ed Carlo Britto Burgatt. Segundo reportagem do g1 MS e da TV Morena, ele afirma ter articulado para que um paciente fosse aceito em Nova Andradina. Essa articulação, segundo apurou o Nova News, teria ocorrido na administração municipal anterior.

A informação, porém, não indica participação da Prefeitura de Nova Andradina, de servidores municipais ou de profissionais de saúde da cidade no suposto esquema investigado. O material divulgado também não identifica a unidade de saúde que receberia o paciente nem aponta irregularidade na atuação de agentes do município.

 

Mensagem cita atendimento em Nova Andradina

Segundo a reportagem, o diálogo ocorreu durante uma negociação conduzida pelo advogado Gabriel Taquino de Paula, apontado pela investigação como representante comercial da Editora Avante. Um prefeito de outro município que negociava a compra de livros teria um parente que precisava de internação.

 

 

Em uma das mensagens atribuídas a Ed Carlo, o então coordenador afirma que conseguiria resolver a situação. Pouco depois, informa que havia conversado com pessoas de Nova Andradina e que o paciente seria aceito na cidade

“Amanhã cedo estará resolvido. Já falei com o pessoal de Nova Andradina, vão aceitar lá”, diz a mensagem atribuída a Ed Carlo e reproduzida pela reportagem.

O conteúdo divulgado até agora não esclarece quem seriam as pessoas mencionadas como “o pessoal de Nova Andradina”. Também não informa qual seria a unidade responsável pelo atendimento, se a internação chegou a ocorrer ou se o encaminhamento seguiu o fluxo regular do sistema de regulação.

 

Investigação apura suposto uso da saúde como pressão

 

 

As mensagens fazem parte da investigação da Operação Gutenberg. Segundo o Gaeco, integrantes do grupo investigado teriam usado o acesso a internações, exames e cirurgias como instrumento para favorecer negociações de livros paradidáticos com municípios de Mato Grosso do Sul.

Em outros diálogos divulgados pela reportagem, os investigadores identificaram referências diretas a negociações envolvendo a Prefeitura de Nova Alvorada do Sul. Esse é um contexto diferente da menção feita a Nova Andradina, que aparece apenas como possível destino de um paciente que precisava de internação.

 

De acordo com a investigação citada pelo g1 MS, Gabriel Taquino e seu escritório de advocacia receberam mais de R$ 367 mil da Editora Avante entre 2022 e 2024. A movimentação foi identificada após quebra de sigilo bancário.

 

 

A defesa de Ed Carlo e Gabriel informou ao g1 MS que se manifestará no processo no momento oportuno e destacou que o Ministério Público ainda não apresentou denúncia. Sobre as conversas, a defesa afirmou que mensagens precisam ser acompanhadas de provas que confirmem seu conteúdo.

A Operação Gutenberg investiga um suposto esquema que teria movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos para a compra de livros paradidáticos em Mato Grosso do Sul.

 

Redação Nova News

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