Operação Gutenberg desencadeada na manhã desta terça-feira (7/7) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado), tem como um dos alvos, o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos, que esteve à frente daquele município entre os anos de 2013 e 2016.
O ex-chefe do Executivo daquele município reside atualmente em Campo Grande e atua como assessor parlamentar na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, nomeado no gabinete do deputado estadual Jamilson Name.
Ainda não há informações sobre qual a determinação judicial é cumprida junto ao ex-prefeito.
Como mostrado anteriormente pelo Dourados News, desde o início da manhã de hoje, os policiais militares do Gaeco cumprem 43 mandados de busca e apreensão e outros 16 de prisão preventiva em Mato Grosso do Sul, São Paulo e em Goiás.
A ação é resultado de investigação contra organização criminosa suspeita de desviar, através de contratos de licitação, mais de R$ 27 milhões. Com auxílio de servidores públicos, eram realizados procedimentos mediante contratação direta por inexigibilidade de licitação para a aquisição de livros paradidáticos.
Os mandados são cumpridos em Dourados, Campo Grande, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
Na maior cidade do interior sul-mato-grossense, conforme mostrado pelo Dourados News, pelo menos um mandado de busca foi cumprido, na casa de servidora pública. Na ocasião, o marido dela acabou flagrado com uma arma e precisou ser encaminhado à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário).
Investigação
De acordo com o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a investigação constatou crimes em licitação, corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros delitos correlatos.
O esquema estava instalado em Campo Grande e com atuação em diversos municípios do Mato Grosso do Sul.
Ainda conforme o Ministério Público, as ações realizadas pelo grupo criminoso, seguia operando até os dias atuais, com contratos ativos em vários municípios do Estado.
“Verificou-se que os valores recebidos dos cofres públicos pela organização criminosa ultrapassam a quantia de R$ 27 milhões, a qual era pulverizada entre seus integrantes, servidores corrompidos e diversas pessoas físicas e jurídicas com o fim de ocultar e dissimular a sua origem ilícita”, aponta o Ministério Público.
Além disso, entre as várias frentes de atuação, o grupo se valia da influência de servidores cooptados na área da saúde pública para condicionar a autorização de exames, cirurgias e até vagas de leitos em hospitais pela rede estadual à aquisição de livros vendidos pelos integrantes da organização.
A operação
O nome da operação, "Gutenberg", faz referência a Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros, cuja nobre missão contribuiu para a ampliação do conhecimento.
No caso investigado, ao contrário, os livros constituem justamente o instrumento utilizado para dar aparência de legalidade ao esquema criminoso.
Por Adriano Moretto